19 de nov de 2008

"1001 Discos para ouvir Antes de Morrer"

Autor: Robert Dimery

Editora: Sextante

Quanto? Preço médio R$ 60,00.

Quais seus discos preferidos? Qual a sua discoteca básica?

Quando você já passou da casa dos 35 anos e tem uma ligação forte com a música, sabe que listar 1001 discos não é uma tarefa das mais complicadas. Até parece, mas não é! Faça um teste, comece a fazer uma listinha mental dos seus preferidos e você vai perceber que não é tão complicado. Lembrará do que não pode ficar de fora, os clássicos eternos, tanta diversidade de sons, estilos, tantos que devem fazer parte, o medo de deixar algum de fora, e assim vai. E foi exatamente o que aconteceu comigo ao começar a ler "1001 Discos para ouvir Morrer".

Editado por Robert Dimery (Co-produtor de livros como ‘24 Hour Party People’, de Tony Wilson, ‘Pump Up The Volume: A History Of House’ e ‘Breaking Into Heaven: The Rise And Fall Of The Stone Roses’), com prefácio de Michael Lydon (Editor e Co-fundador da Rolling Strone, autor dos livros ‘Rock Folk’, ‘Boogie Lightning’, ‘Ray Charles: Man and Music’ e ‘Flashbacks’), "1001 Discos para ouvir Morrer" faz um apanhado da década de 50 até os dias de hoje, na sua grande maioria, do pop e do rock, mas com saudáveis inserções de clássicos do Jazz, Blues, Reggae e até de MPB.

Lado A

Esse livro nos leva a uma incrível viagem pelo mundo da música, proporcionado reencontros, seja com clássicos como ‘Kind of Blue’ de Miles Davis, ‘Love Supreme’ de Coltrane, ‘What’s Going On’ de Marvin Gaye, "In the Wee Small Hours" de Sinatra, "My Generation" do The Who, "Sargent Peppers..." dos Beatles, "Dark Side of the Moon" do Floyd e também com grandes descobertas. Para quem busca, como eu, novos sons, este "1001 Discos para ouvir Morrer" é um grande legado musical. Página a página você se depara com muita coisa que nunca tinha ouvido. Anote, escute, baixe, compre; há muita coisa bacana para se descobrir!

Lado B

Porém, da mesma forma que há riqueza de citações e informações, senti falta de muitas obras, daquelas que já estavam devidamente anotadas na minha ‘listinha’ (lembra? kkkkkkkkk) clássica! Mas sinceramente? Nada que se deva levar tão a sério. E vou mais além: se há uma forma de ler esse livro e tirar tudo de bom que ele realmente tem a nos oferecer, é não levá-lo tão a sério! É claro que você vai ficar indignado com a falta desse ou daquele disco, mas também vai dar boas gargalhadas com certas ‘pérolas’ presentes, como Britney Spears e o "Prince brasileiro" (what? kkkkkkk) Carlinhos Brown! Eu surtei quando não vi Chuck Berry, faltou "Out Of Time" do R.E.M, mas tem praticamente todos os discos do Radiohead (com exceção de "Pablo Honey"), o que beira a um certo exagero! Como uma boa e velha "lenda do metal" (isso é piada interna da diretoria...ahahahahahahahahah), senti falta de alguns clássicos como "Bonded by Blood" do Exodus (obra absoluta do Thrash Metal oitentista made in ‘Bay Area’), "Seven Churches" do Possessed, "Holy Diver" de Dio, entre outros. Outro estilo injustiçado foi o Blues. Sim, lá estão as obras de Robert Johnson, Muddy Waters e John Lee Hooker, mas resumir o Blues somente a esses três mestres? É um grande absurdo! Nomes como Buddy Guy, Júnior Wells, Lightning Hopkins, Stevie Ray Vaughan, BB King e Albert King não tiveram suas obras citadas, o que é uma grande contradição para um livro que quer ser referência. Mas agente respira, pondera e lembra que não vale à pena levar tudo tão a sério e percebe que assim, a diversão não acaba!

As fotos

O livro está recheado de fotos bacanas, com destaque para o trabalho de Trevor Clifford e Chris Mattison
, além da cessão de imagens históricas cedidas pela Referns Picture Library, Rex Features e Getty Images.

Vale muito à pena dar um pulo para a página de créditos das fotos (Pág.960) e saber um pouco mais sobre o trabalho fotográfico deste livro!

Saldo

"1001 Discos para ouvir Morrer" é muito bacana, uma leitura das mais agradáveis, mas que não se deve levar tão a sério e sim ser lido com calma, tomando um Jack Daniels e escutando música de primeira.

P.S: Esse é um daqueles livros que fazem parte do seleto grupo que eu carinhosamente apelidei de ‘Pequenas coisas inesquecíveis’, mas sobre isso eu falo em um outro momento.

2 comentários:

Roxy disse...

Não seria 1001 Discos Para Ouvir ANTES de Morrer?

GRAZZI PINHEIRO disse...

Nossa! Fiquei super curiosa com relação a esse livro, deve ser realmente muito bacana! Porém, se eu fosse listar com certeza citaria muita gente boa, mas com mais certeza ainda deixaria de citar tantas outras... Acredito que ainda conheço muito pouco de música, preciso me aventurar mais.
Obrigada por mais uma dica fantástica!!!